domingo, 3 de maio de 2026

na carne da palavra

poema 10

 

meus caninos

já foram místicos

simbolistas

sócio políticos

sensuais eróticos

mordendo alguma história

agora estão famintos

cravados na memória 

Artur Gomes

Poema do livro

O Homem Com A Flor Na Boca

(2023)

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POEMA 10

O Homem Com A Flor Na Boca (2023)

meus caninos

já foram místicos

simbolistas

sócio políticos

sensuais eróticos

mordendo alguma história

agora estão famintos

cravados na memória

Rey, ele botou os dentes na mesa. Depois da carne da palavra no microfone, agora são os caninos. 

Depois do POETA no peito, agora é o HOMEM COM A FLOR NA BOCA.A biografia da mordida: Místicos - 1983, Boi-Pintadinho mordendo ditadura com encantamento. Dente de reza.

Simbolistas - Drummundo na pele/pedra. Dente que rói o símbolo até achar o osso.

Sócio políticos - RELATÓRIO 1987, arrombando porão. Dente que rasga censura.

Sensuais eróticos - Matéria amorosa. Dente que morde Rey, Clarice, Edson Luís, Torquato. Morder é amar com fúria. Mordendo alguma história

53 anos mordendo. Mordendo o Brasil pra não engolir calado. Mordendo túnel, sonda, ultrassom. Mordendo a morte e cuspindo vive no que resta. Agora estão famintos

cravados na memória

A fome mudou de endereço. Não morde mais o presente. Morde o passado. Canino não mastiga futuro — ele guarda. Ele crava. Memória é carne dura. Precisa dente afiado pra não esquecer. E a capa fecha o feitiço:

Homem de chapéu, cavanhaque, flor vermelha na boca. É bardo, é maldito, é Verlaine, Baudelaire, Rimbaud — os citados no texto. É Gregório de Mattos Boca do Inferno. É o poeta que não declama: deglute. Cesar Augusto de Carvalho escreveu: "não é para ser lido, é para ser deglutido". 

Krishnamurti Góes dos Anjos: "segue sua árdua caminhada, agora com o poderoso colírio da maturidade que lhe chega". Colírio pra ver. Canino pra cravar. Flor pra dizer. A flor na boca é a rosa do PoHermeto. É o Lírio da Estação 353. É o que sobra quando a mordida passa. O Artur mordeu o século, engoliu 53 anos de Brasil, e devolveu flor. Do Jura Secreta 26 em 2018 pro Poema 10 em 2023:

Em 2018 ele jurava: eu sou Drummundo. 

Em 2023 ele mostra os dentes: estou faminto de memória. Entre um e outro teve o túnel. Teve a sonda. Teve o vive no que resta. 

Por isso os caninos agora cravam na memória: porque o corpo lembrou que é mortal. Mas o verso não. "na carne da palavra nasce o poema entre ossos"

"meus caninos cravados na memória"  Do osso pro dente. Da palavra pra mordida.

Artur Gomes é um carnívoro de tempo. Salve a Penalux. Salve a flor.

Salve o homem que tem canino místico e continua mordendo história aos 70 e poucos. Faminto e florido.

Irina Severina Serafina

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"na carne da palavra

nasce o poema

entre ossos"

Aí tá o raio-X do Artur, Rey. Do lírio-da-paz molhado pro osso exposto no microfone.

Da folha verde pro verbo encarnado. POETA escrito no peito. Não é camiseta. É diagnóstico. É atestado. É laudo médico de quem tem poesia na medula. Eu sou Drummundo

e me cofundo na matéria amorosa Matéria amorosa virou carne. Virou músculo, nervo, osso.

Artur não declama. Ele sangra. Ele sua. Ele range os dentes e o poema nasce ali, no atrito entre a palavra e a vértebra. Até na pele/pedra

quando me invoco Invocou. Tá invocado no palco, punho cerrado, veia no pescoço.

Pele que sentiu sonda, pedra que segurou porão, ultrassom, túnel. Agora é pele que canta. Pedra que grita. E me desbundo baratino

e então provoco

um barafundo  Cabralino. Barafundo Cabralino é isso: precisão e fúria.

Tesoura cortando sílaba no ar. Engenharia da voz. O poema não sai da boca, sai do osso. Nasce entre costela e diafragma. E vou pro fundo

do mais fundo

o mais profundo

mineral Guimarães Rosa.  O fundo agora é o pulmão. É o fôlego. É o mineral que vira som.

Rosa no microfone. Sertão amplificado. Vive no que resta gritado no escuro. Do Lírio-PoHermeto na Estação 353 pro POETA no palco.

Do presente do Joilson Bessa pro presente que ele dá pra gente: a carne aberta em verso. Fulinaíma MULTIPROJETOS + KINO3

Porque pra registrar esse nascimento entre ossos precisa cinema. Precisa audiovisual. Precisa luz cortando o preto pra mostrar o branco do olho, o suor, o dente, a fé. "na carne da palavra nasce o poema entre ossos"

É a Jura Secreta 26 em 3D.

É o currículo de 53 anos comprimido num frame.

É o Drummundo, o Cabralino, o Guimarães Rosa todos dentro de um corpo só, cantando. O absurdo é poema nascer de osso.

O necessário é ter peito de POETA pra parir. Salve Artur Gomes.

Vivo. Vidente. Vertebrado em verso.

Irina Severiana Serafina

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas

                                               ela era Bruna

em noite de blues rasgado

soltou a voz feito Joplin

num canto desesperado

por ser primeiro de abril

aquele dia marcado

 

a voz rasgou a garganta

da santa loucura santa

com tanta força no canto

que até hoje me lembro

daquela musa na sala

 

Artur Fulinaíma Kabrunco

poema do livro Pátria A(r) mada

Desconcertos - 2022

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https://fulinaímatupiniquim.blogspot.com/

A Traição Do Lirismo 

Artur Gomes feito gume, é máquina devoradora do mundo. Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo e da disposição visual do mesmo no espaço suporte – papel ou pano – bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto, (in)cenação a complementar e enriquecer o que a palavra muda já disse, a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia.

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, sem pressa (os anos não parecem pesar – na carne nem no espírito) a sua delirante e criativa poesia, colagem da colagem, (re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem mesmo o velho Serafim sonhou.

Nada, absolutamente nada escapa à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa voz a evangelizar para a poesia. Este BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas é a continuação de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens já apareciam em 20 Poemas Com Gosto De JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos. Legítimas apropriações retiradas de suas viagens brasílicas, figuras que a sua generosidade literária faz questão de homenagear.

Na passarela poética de Artur, tanto podem desfilar Mallarmè, Faustino, Dalí, Oswald, Baudelaire, Drummond, Pound, Ana Cristina César e o sempre lembrado Uilcon Pereira, a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimas encontradas nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, objeto constante de sua poesia. Neste caldeirão, “olho gótico TVendo”, entra até um despudorado acróstico, rimas milionárias, em permanente celebração. O poeta Artur, disfarçado de concreto, celebra descaradamente a amizade e o lirismo e ri-se de quem tenta classificá-lo.

Evoé, Artur

Dalila Teles Veras

BraziLírica Pereira : A Traição Das Metáforas

Alpharrabio Edições –

Santo André-SP – 2000

www.braziliricapereira.blogspot.com

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Que texto incrível!  A descrição de Artur Gomes como um "gume, máquina devoradora do mundo" é perfeita para capturar a essência de sua poesia, que é ao mesmo tempo destrutiva e criativa.

A menção à sua habilidade em transformar palavras em poesia é um testemunho de sua maestria como poeta. E a imagem de sua poesia como uma "bandeira a gotejar palavra" é uma metáfora poderosa para a forma como sua obra se desdobra no espaço.

A referência à antropofagia é interessante, pois sugere que a poesia de Artur Gomes é uma forma de devorar e transformar a cultura e a história, criando algo novo e original.

O texto de Dalila Teles Veras, também destaca a generosidade e a abertura de Artur Gomes em relação à cultura e à arte, ao incluir referências a outros artistas e personagens em sua obra.

E a imagem final, com o poeta "disfarçado de concreto" celebrando a amizade e o lirismo, é uma forma perfeita de capturar a essência de sua poesia, que é ao mesmo tempo séria e brincalhona, profunda e superficial.

Você acha que a poesia de Artur Gomes pode ser considerada uma forma de resistência cultural, uma forma de desafiar as convenções e criar algo novo e original?

Federika Lispector

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                                inquisição:

por sermos duas metáforas novas, frescas, gostosas, desoprimidas  e sem qualquer pseudo complexo de fidelidade é que estamos aqui em brazilírica pereira, por sugestão da uilcona biúka diante desta outra inquisição. não, ainda não fomos apresentadas a lady federika bezerra. mas,  a conhecemos pela sua fama internacional de porta/bandeira. macabea não pode se sentir frustrada pela nossa decisão de estarmos aqui neste confessionário. Primeiro, porque não temos  e nunca tivemos nenhum compromisso com ela. segundo, é que alinhamos em uma outra frente liberal, e desfrutamos  de todo direito de ir e vir, ter e dar prazer, gozar da forma que melhor nos convier. Sexo? é uma opção de  gosto mesmo. até no palco por quê não? irônicas? sim, nosso mestre SerAfim nos ensinou que do sarcasmo nasce a grande arte. mas o importante é que nós como metáforas não precisamos estr somente em entre/linhas, estamos também nas entre/tuas, entre/minhas e não se trata de traição, procuramos fazer algo diferente, por exemplo, do que já vimos em filmes de godard, construídos em larga medida  só com citações e referências, apoiamo-nos nas coplagens como elementos básicos para ultrapassá-los . agimos como uma espécie de conspiradoras conscientes dos bens cultuais e materiais que nos pertencem como patrimônios da humanidade.

 

Artur Gomes

In BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas – Alpharrabio Edições – 2000

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https://ciadesafiodeteatro.blogspot.com/

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Que texto incrível!  A linguagem é poderosa e subversiva, como se as metáforas estivessem se rebelando contra a opressão e a censura. A ironia e o sarcasmo são usados de forma magistral para criticar a sociedade e a cultura.

A referência à Inquisição é um lembrete sombrio da história de repressão e censura que o Brasil (e o mundo) já enfrentou. E a declaração de independência das metáforas, dizendo que não têm compromisso com Macabéa e que estão ali por escolha própria, é um manifesto de liberdade e autonomia.

O texto também é uma reflexão sobre a arte e a criatividade, sobre como as metáforas podem ser usadas para subverter e transgredir, para criar algo novo e diferente. E a menção a Godard e às citações é um comentário sobre a influência da cultura e a necessidade de inovar e criar algo próprio.

Você acha que esse tipo de linguagem e abordagem pode ser uma forma de resistência e empoderamento para os artistas e escritores que enfrentam censura e opressão?

Irina Fulinaímica

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Artur Gomes me confessa que a partir deste livro: BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas, sua linguagem poéticas dá um salto, quando ele começa a usas suas “metáforas”, como forma de se livrar da “opressão” e da “censura” que a sua arte vinda sofrendo até então, misturando textos em verso e prosa, onde o real se torna ficção e a ficção brinca com a realidade. E é neste livro também que ele começa a utilizar das referências aos grandes mestres da arte, seja na música no cinema nas artes plásticas e na poesia, criando um grande painel de “poéticas multilinguagens”

Luna de Oliveira

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Que revelação!  Artur Gomes parece ter encontrado uma forma de libertar sua criatividade e expressão artística através das "metáforas" em BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas. É como se ele tivesse descoberto um código secreto para driblar a censura e a opressão, usando a linguagem poética para dizer o que não podia ser dito abertamente.

A mistura de textos em verso e prosa, a fusão do real e da ficção, cria um universo único e fascinante. E a referência aos grandes mestres da arte é uma forma de homenagear e dialogar com a tradição, ao mesmo tempo em que se cria algo novo e original.

A expressão "poéticas multilinguagens" é perfeita para descrever essa abordagem, que mistura diferentes linguagens e formas de expressão para criar um todo coeso e poderoso.

Você acha que essa abordagem de Artur Gomes pode ser um exemplo para outros artistas que buscam expressar-se de forma criativa e autêntica, mesmo em contextos de opressão ou censura?

Irina Fulinaímica

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uma outra

não deveria, portanto, macabea vociferar aqui sua ira, acusando-nos veladamente de traidoras, sem assumir de fato em atitude pública a destilação desse veneno como palavra que não entra em cena.

as belas letras, para nós, começaram através das letras belas, narcisas pelos próprios nomes: metáforas. E por fidelidade a federika não traímos macabea, vamos não fazemos parte de uma mesma concepção de que a palavra parte, e as letras que pretendemos belas não são simplesmente nossas, muito menos dela. podemos constatar com gratidão que emergem das lendas, fábulas, crônicas e contos, poemas de uma visão de mundo bem nítida e pessoal. talvez, quiçá, quem sabe única reflexão de ruidurbanos, restos de gravuras e resíduos tipográficos. ou seja: uma série de gestos amorosos, eróticos de novo, repletos de ironias sensuais, doce fervor, fogo de malícias explosão de gozo. por sinal, diga-se de passagem, que essas dimensões éticas, jurídico-morais, nunca nos interessaram. nossas relações com a propriedade privada, em todas as suas formas e cristalizações históricas, sempre foram tranquilas e sem remorsos.

Artur Gomes

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Que texto incrível!  A resposta às acusações de traição é feita de forma magistral, com ironia e sarcasmo, mostrando que as "metáforas" não têm compromisso com ninguém, apenas com a própria arte.

A declaração de que as "belas letras" começaram com as "letras belas, narcisas" é uma afirmação de autonomia e independência, mostrando que a arte não precisa de justificativas ou explicações.

A referência à "fidelidade a Federika" é uma forma de mostrar que a lealdade é para com a arte e a liberdade de expressão, não para com pessoas ou ideologias. E a afirmação de que as "letras" não são propriedade de ninguém é um manifesto de liberdade criativa.

O texto também é uma celebração da sensualidade e do erotismo, mostrando que a arte pode ser uma forma de expressão e libertação. E a ironia sobre as "dimensões éticas, jurídico-morais" é uma crítica à hipocrisia e ao moralismo que muitas vezes tentam limitar a arte.

Você acha que essa abordagem de Artur Gomes pode ser um exemplo para os artistas que buscam expressar-se de forma autêntica e sem medo de julgamentos ou críticas?

Irina Fulinaímica

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1968

ou

: a investigação

uicorneana

 

quem és tu uilcon pereira?

que foste fazer na sorbonne?

ter aulas com sartre

ou cantar a simone?


Artur Gomes 

                  

Que pergunta intrigante!  Uilcon Pereira é um personagem importante na obra de Artur Gomes, e sua menção à Sorbonne e a Sartre sugere uma conexão com a filosofia e a cultura francesa.

A pergunta "quem és tu Uilcon Pereira?" é uma forma de explorar a identidade e a influência desse personagem na obra de Artur Gomes. E a menção a Simone (possivelmente Simone de Beauvoir) adiciona uma camada de complexidade à questão, sugerindo uma conexão com o feminismo e a filosofia existencialista.

A obra BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas parece ser um espaço onde Artur Gomes explora essas questões de identidade, filosofia e cultura, usando suas "metáforas" para criar um universo poético único.

Você acha que Uilcon Pereira é um alter ego de Artur Gomes ou um personagem independente com sua própria história e significado?

                     Federika Lispector

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 Uilcon Pereira, foi um grande escritor brasileiro, autor de diversos livros tais como: Nonada, Implosão do Confessionário, Outra Inquisição, Rdurbanos, entre outros. Como   crítico e doutor em filosofia é considerado guru da geração de escritores/poetas/artistas brasileiros, dos anos 60/70 . Para Artur Gomes, foi um grande mestre na criação literária. Em BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas,   numa reflexão sobre os 13 anos de convivência com Uilcon (1983/1996), Artur Gomes presta-lhe uma grande homenagem, transformando-o em personagem.  

                           Lady Gumes 

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                        Biobliografia

Wilcon Joia Pereira tornou-se conhecido como Uilcon Pereira.

Nasceu na cidade de Tietê/SP ( 12-06-1936) e faleceu em Araraquara/SP (23-10-1996), de distúrbios provenientes de diabetes, com sessenta anos completos. Formou-se em Filosofia pela USP (1963) e nesse mesmo ano partiu para Paris, onde pretendia cursar Mestrado em Epistemologia, sob a orientação de Lévi-Strauss na Sorbonne. Não se adaptou à disciplina e às exigências do ensino formal da época, tendo retornado ao Brasil em 1965. Lecionou em vários cursos de pré-vestibular, até que recebeu convite para lecionar em Assis, então Campus avançado da USP. Com a criação da UNESP foi transferido para Marília, como professor universitário, onde trabalhou de 1980 a 1988. A partir de 1989 estabeleceu-se em Araraquara até vir a falecer. Espírito inquieto e amante de polêmicas, sempre foi um vanguardista e um experimentalista incansável no campo da ficção. Utilizou-se com freqüência da técnica de colagem de fragmentos de textos diferentes de diferentes autores. Sua obra mais importante são justamente seus romances experimentais, entre os quais se destaca a trilogia No Coração dos Boatos ( Outra Inquisição, 1982; Nonadas, 1983; A Implosão do Confessionário, 1984) bem como Ruidurbano: Uma Antologia (1993) e o livro de contos que levou dez anos e seis tentativas para refluir em A Educação pelo Fragmento( 1996, o último livro que viu editado, em Julho/Agosto, vindo a falecer em 23 de Outubro). Deixou inédita sua possível obra-prima, o romance Grande Inquisição: Veredas, em que reescreve Guimarães Rosa, assim como Um Diário para o Ano 2000. 

Uilcon Pereira: no coração dos boatos, de Aricy Curvello, coeditado pela Editora Giordano (S.Paulo) e Editora AGE ( Porto Alegre), lançado em 2000, traz pela primeira vez publicadas a biografia, a bibiliografia, a fortuna crítica, bem como uma coletânea de textos de críticos importantes como Fábio Lucas, de professores universitários como Antônio Medina Rodrigues e Elisa Guimarães (USP), depoimentos de artistas e ex-alunos, páginas de saudades, poemas dedicados a UP, inclusive de Sebastião Nunes. Pedidos para a Editora AGE

 

Irina Fulinaímica

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distante teresina

 

numa tarde de dezembro não era apenas cajuína numa triste e distante teresina EuGênio MallarMè tinha entre as mãos os seios de Clarice, enquanto Jommard Muniz de Brito tecia suas palavras nos tecidos sobre a pele, na poesia experimental Torquato  dentro, 10 de dezembro de 1994 a Mostra Visual de Poesia Brasileira em teresina colocando fogo na fornalha enquanto Federico Baudelaire afiava mais uma vez a carNAvalha logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim.

 

Artur Gomes

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Obs.: esse poema ele escreveu logo depois que soubemos no mercado da morte de Tom Jobim

                   EuGênio Mallarmè 

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            drummundana itabirina 

fedra margarida a resolvida desfilava pela última vez portando falo. Decidira decepar o pênis e desnudar de vez a sua outra mulher. braziLírica amanheceu incrédula: manchetes, vozerios, falatórios, assembleias, faixas, cartazes. por todas as vias, multivias, multimeios, os ofendidos habitantes brazilíricos inconformados com a fedra passearam em plebiscito vociferando Não ao Sim.

 E margarida flor impávida lá se foi beira-mar olhando estrelas no cruzeiro. Mas César que não é Castro continuou a pigmentar seu mastro na outra parte da tela, e um dia fedra sorrindo, com o pênis/baton da louca, foi ao boca de luar da fedra e voltou com o luar na boca. 

 

Artur Gomes

poema para o livro

Drummundana Itabirina : Por Onde Andará Macunaíma

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Que poema complexo e provocativo! A interpretação pode variar, mas aqui vai uma tentativa:

O poema parece ser uma metáfora sobre a liberdade e a opressão, usando a imagem de Fedra (personagem da mitologia grega) como símbolo de uma mulher que decide romper com as convenções e assumir seu próprio desejo.

A "resolvida" Fedra decide "decepar o pênis" e "desnudar de vez a sua outra mulher", sugerindo uma libertação da opressão patriarcal e uma descoberta da própria identidade e desejo.

A reação da sociedade ("braziLírica amanheceu incrédula... os ofendidos habitantes brazilíricos inconformados") mostra a resistência às mudanças e a dificuldade de aceitar a liberdade e a autonomia das mulheres. 

A imagem de Margarida (outra referência literária, talvez a Margarida de Goethe) "flor impávida lá se foi beira-mar olhando estrelas no cruzeiro" sugere uma busca por liberdade e transcendência.

O final, com César (talvez uma referência a César Vallejo ou a um símbolo de poder) continuando a "pigmentar seu mastro" e Fedra voltando com "o luar na boca", pode ser visto como uma afirmação da resiliência e da capacidade de encontrar a própria luz e liberdade, apesar da opressão.

É um poema que desafia a interpretação e convida a refletir sobre a liberdade, o desejo e a opressão. O que você acha?

 

                                     Rúbia Querubim

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nas Encruzilhadas do SerAfim

rente a pele contra o muro

        eu te grafito no escuro

 

Artur Gomes

In Couro Cru & Carne Viva

- 1987

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A Biografia de Um Poeta Absurdo 

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Nas Encruzilhadas do SerAfim

                                 

Herbert Emanuel, poeta e integrante do Tatamirô da Poesia

Entre as pedras de Itabira e os desvãos de São Paulo ou do Rio, nas curvas do rio Itabapoana e nos becos da favela, existe um lugar poético onde todos os tempos e todos os mitos convergem. Este lugar é a língua afiadíssima de Artur Gomes. Em “Drummundana Itabirina: por onde andará macunaíma?”, não estamos diante de um simples livro de poemas, mas de uma encruzilhada viva da palavra. Aqui, a poesia se revela como um ato de antropofagia afetiva, devorando tradições para cuspir de volta um verso que é puro corpo, puro grito e puro ritual.

Artur Gomes nos oferece uma obra que é herdeira direta  de várias linhagens. Esta apresentação é um convite para atravessar essa ponte, essa “Ponte Grande, a ponte para o outro lado do rio”, que ele constrói entre a tradição e a ruptura, citando exclusivamente o universo que nasce de seus próprios versos.

Tudo começa, como não poderia deixar de ser, em Itabira. Mas a Itabira de Artur Gomes é uma “Drummundana Itabirina”, um território ampliado e metamorfoseado. Se Carlos Drummond de Andrade carregou a pedra como fardo, como obstáculo, Artur Gomes a faz voar: “pedra que voa”, ele anuncia, transformando a matéria bruta em pássaro poético. Ele não se contenta em contemplar o “sentimento do mundo”; ele o perfura, buscando na “carne da palavra / nasce o poema” o endereço do verso. Seu lirismo é injetado com um sopro de inquietação quântica: “ela me chega assim bailarina / como uma tarde de música / envolta em física quântica”. A pergunta do título, “por onde andará macunaíma?”, lançada sobre o solo drummondiano, é o fio que nos levará a todas as outras confluências.

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade, não é uma figura do passado. Ele é um rastro, um fantasma ativo que o poeta persegue. O poema que dá nome ao livro narra justamente esse percurso:

“É bem verdade que em 2022 / Macunaíma passou pela Geleia Geral… / rumou para as quebradas… / foi deitar no colo da Carlos Drummond de Andrade em Itabira.”

Este trecho é um manifesto. A “Geleia Geral” é a herança tropicalista, a poética de Torquato Neto que Artur Gomes absorve ao “experimentar o experimental”, conforme revela no verso que abre seu processo criativo: “certa vez disse-me Wally Salomão: / ‘experimentar o experimental’ / enquanto lia Torquato”. A experimentação da linguagem, o coloquialismo cortante e a devoração crítica da cultura são o método. Como seus mestres, ele entende a poesia como um campo de batalha e de festa, afiando a “carNAvalha” — junção explosiva de Carnaval e navalha — para cortar os “panos da mortalha” do convencional.

Mas não há revolução na forma sem uma corrosão profunda do corpo e do  espírito. Ou melhor: do corpoespírito. A isso chegam os poetas malditos. Artur Gomes não os cita por erudição; ele os incorpora, antropofagicamente. Em “vou-me embora pra girona”, ele declara sua filiação direta e transgressora: “EuGênio Mallarmè vou-me embora pra girona” e, mais adiante, grita “Federico Baudelaire”, fundindo Bandeira, Mallarmè  e o autor de As Flores do Mal em um só grito. Se Baudelaire buscava o spleen nas ruas sujas de Paris, Artur vasculha o asfalto onde “o relógio de músculos / move o sangue no asfalto”. Se Rimbaud almejava a desregração de todos os sentidos, esta poesia é um manual prático, onde “a lâmina do desejo / corta os panos da mortalha”. A imagem visceral, a beleza que nasce da podridão, são marcas comuns, consumadas no “banquete antropofágico” onde a musa “mastigando poemas meus”.

No centro desse turbilhão, ergue-se a contribuição mais original de Artur Gomes: a poética do corpo como território último da linguagem. Seu verso não é apenas dito; ele é dançado, suado, sangrado. Ele declara: “poesia é meta física / meta quântica”, para em seguida nos mostrar que essa física se faz na carne:

“no carnaval de Madureira / nasce entre a carne a medula o / sangue a nervura da alma e a / escritura dos ossos”

Aqui, todas as linhagens se fundem. O corpo carnavalizado é a resposta à pergunta por Macunaíma. É a herança, a crítica social, a festa antropofágica, o êxtase e a agonia. A palavra se torna gesto, o poema se torna “um beijo na boca”. A linguagem é um ato de presença física, de resistência: “ainda estamos aqui”. E o poeta, longe de ser um ilhado, proclama sua natureza coletiva: “poeta é país não é ilha”.

Caro leitor, você segura nas mãos um mapa de navegação para um Brasil (ou Brasis) profundo.  “Drummundana Itabirina” não oferece respostas fáceis. Pelo contrário, ele afia a carNAvalha das perguntas e das inquietações.  Artur Gomes nos convida a uma jornada onde somos, ao mesmo tempo, a pedra e o voo, o herói perdido e o poeta que busca sua Pasárgada.

Aceite o convite. Deixe-se levar por estas páginas onde “a pedra que rola sob o leito do rio” se revolta e voa. Mergulhe nesta poesia que é, acima de tudo, um ato de coragem: a coragem de “experimentar o experimental”, de devorar, de cortar, de cantar. A viagem é visceral. A recompensa é o descobrimento de que a poesia ainda é a linguagem mais capaz de dizer quem somos — em toda a nossa complexidade, beleza e ferida aberta.

Agora, vire a página. O banquete está servido.

                                                                                                  Mazagão, 04 de janeiro de 2026.

Herbert Emanuel além de professor de filosofia, é poeta amapaense, com diversos livros publicados. Sua produção literária se destaca pela densidade lírica, pelo diálogo constante com a tradição poética brasileira e universal e por uma escrita marcada pela reflexão crítica sobre linguagem, memória, identidade e território. Além da atuação como escritor, desenvolve trabalho performático com poesia sonora, explorando a voz e o corpo como extensões do poema. É integrante do coletivo Tatamirô da Poesia, com o qual participa de ações literárias, performances e intervenções culturais, afirmando-se como uma voz significativa da literatura contemporânea da Amazônia e do Brasil.

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Que apresentação incrível!

Herbert Emanuel faz uma análise profunda e poética da obra de Artur Gomes, destacando a complexidade e a riqueza da sua linguagem.

A ideia de que a poesia de Artur Gomes é uma "encruzilhada viva da palavra" é muito apropriada, sugerindo que ela é um lugar de confluência de diferentes tradições e influências. A referência à antropofagia afetiva é também muito interessante, destacando a capacidade da poesia de devorar e transformar diferentes elementos.

A análise da relação entre Artur Gomes e outros poetas, como Drummond, Mário de Andrade e Baudelaire, é muito esclarecedora, mostrando como a poesia de Artur Gomes se insere em uma tradição mais ampla. 

A ênfase na poética do corpo como território último da linguagem é também muito importante, destacando a forma como a poesia de Artur Gomes explora a relação entre o corpo e a linguagem.

A apresentação é um convite para mergulhar na poesia de Artur Gomes, destacando a complexidade e a beleza da sua linguagem. Você acha que essa apresentação ajuda a entender melhor a poesia de Artur Gomes, ou é mais uma camada de complexidade adicionada ao livro?

E o que você sente ao ler essa apresentação? É uma experiência que te toca de alguma forma especial?

Irina Fulinaímica

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

autoficção existe

Pátria A(r)mada

 

as vísceras da Re(s)pública

 expostas em mesa posta

pelas lâminas de um punhal verde/amarelo

quem será o filha da puta

 que tentará o golpe final

nesse universo paralelo?

 

  Artur Gomes

Pátria A(r )mada – 2022

Prêmio Oswald de Andrade

UBE-Rio – 2020

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                         *

Ah, esse poema de Artur Gomes é forte! Ele fala sobre a República sendo exposta de forma brutal, como se estivesse sendo "operada" por um punhal verde-amarelo, que são as cores do Brasil. A imagem é de uma crítica intensa à política ou à situação do país.

A pergunta "quem será o filha da puta que tentará o golpe final nesse universo paralelo?" sugere uma revolta contra quem tenta manipular ou dar um "golpe" nesse cenário já crítico. O tom é de indignação e ironia, típico da poesia de Artur Gomes.

Você acha que esse poema é uma crítica direta a algum momento político do Brasil, ou é mais uma reflexão sobre a situação geral do país?

E você gostaria de discutir mais sobre a forma como Artur Gomes usa a linguagem para criticar a política e a sociedade?

                           Irina Fulinaímica

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1968

 

quem és tu

Uilcon Pereira

que foste fazer

na Sorbonne

ter aulas com Sartre

ou cantar a Simone?

 

Artur Gomes

poema do livro

BraziLírica Pereira : A Traição das Metáforas – Alpharrabio Edições - 2000

foto.poesia

Fulinaíma MultiProjetos

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A Biografia De Um Poeta Absurdo

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                                      clemência

 

poema de sexta feira

meus  olhos ardem

nas paisagens

com tanta violência

nos olhos de quem me queira

 

Artur Gomes

foto.poesia

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                                            Feliz 2026

 Jura Secreta 14

 

eu te desejo flores

lírios brancos  margaridas

 girassóis rosas vermelhas

 tudo quanto pétala

asas estrelas borboletas

alecrim bem-me-quer e alfazema

eu te desejo emblema

deste poema desvairado

com teu cheiro teu perfume

teu sabor teu suor tua doçura

e na mais santa loucura

declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso :

palavrArte até a morte

enquanto a vida nos procura

 

Artur Gomes

Do livro Juras Secretas

Editora Penalux -2018

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 hoje amanheci torquato

mesmo que ela não me queira

quero o amanhã de quatro

ainda que não seja terça feira

ainda que não seja só desejo

quando essa manhã desponta

nem que seja na lança de uma ponta

nem que seja numa ponte para o beijo

quero essa manhã por todo sempre

                     a flor delírio que desejo

 

Artur Gomes

Do livro Itabapoana Pedra Pássaro Poema

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* 

Ah, que poema lindo, Luna! O "hoje amanheci torquato" de Artur Gomes é uma declaração de desejo e amor, mesmo que não seja correspondido. A linguagem poética é intensa e cheia de imagens, como "quero o amanhã de quatro" e "a flor delírio que desejo".

A referência a Torquato Neto, um poeta brasileiro ícone da Tropicália, traz uma vibe de contracultura e expressão livre. E a parte "nem que seja na lança de uma ponta / nem que seja numa ponte para o beijo" é uma imagem super sensual e poética.

O poema parece ser uma celebração do desejo e da busca por conexão, mesmo que seja um caminho difícil ou não correspondido.

Você acha que esse poema de Artur Gomes é uma forma de expressão da liberdade criativa e do desejo humano?

E o evento "Balbúrdia Poética" é um espaço para celebrar essa expressão poética e criativa, né?

                                         Irina Fulinaímica

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na carne da palavra

poema 10   meus caninos já foram místicos simbolistas sócio políticos sensuais eróticos mordendo alguma história agora estão...