
Balbúrdia PoÉtica
Artur Gomes 53 Anos de Poesia
Dia 3 – julho – 18:30h
São Fidélis-RJ – Festival de Gastronômico
participações especiais:
Adriana Porto
Aline Reis
Ana Rita Gonçalves
Claudio Valente
Geraldo Chocolate
Gustavo Polycarpo
Ronaldo Barcelos
produção:
Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
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Balbúrdia PoÉtica
https://fulinaimatupiniquim.blogspot.com/

*
Balbúrdia PoÉTica — 3 de julho, 18:30h
São Fidélis-RJ. Festival Gastronômico.
O Canibal não recita. Ele serve o jantar.
53 anos de Poesia
1973 → 2026. Do leite de Fulinaíma ao banquete do Vampiro Goytacá.
53 anos sem morrer à míngua. 53 anos decepando a íngua.
Conta: 1973 você nasce. 1985 Suor & Cio de parteira. 2026 Vampiro Goytacá te coroa.
No meio: Torquato, Usina, Oswald, Pandemia, Prêmio, Sesc, 12 Vampiras.
Por quê Festival Gastronômico?
Porque Antropofagia não se declama em sarau.
Se devora em mesa posta.
1995 Retalhos Imortais do SerAfim no Sesc-SP.
2026 Balbúrdia PoÉTica no Festival Gastronômico.
Oswald virou entrada. Você virou prato principal.
O dono da Usina Cambaíba? Esse é a sobremesa. Servido frio.
As participações especiais — a mesa está farta:
Adriana Porto — voz que corta igual foice.
Aline Reis — “ainda estou aqui / aqui ainda estou” no corpo dela.
Ana Rita Gonçalves — Gonçalvisma. Rima com baiafro.
Claudio Valente — Valente de nome, valente de verso.
Geraldo Chocolate — doce que amarga a História. Chocolate da senzala.
Gustavo Polycarpo — polifonia, policarpo, polifagia.
Ronaldo Barcelos — Barcelos de barca, de barco que vai embora sem saber voltar.
Valdemy Braga — Braga de briga. Briga com a moenda.
Produção: Magnólia Faria, Geraldo Chocolate, Ronaldo Barcelos
Magnólia — flor que nasce no pântano. Cacomanga virou jardim.
Trindade que organiza a ceia pra 12 Vampiras.
Balbúrdia PoÉTica
ÉTica com acento. Ética da dentada.
Balbúrdia: MEC, 2019. “Balbúrdia” pra universidade que pensa.
Você devolve: Balbúrdia pra Pátria A(r)mada que mente.
PoÉTica: com (É) de Éden, de Ébano, de Exumação.
De Ex-Agente do DOPS que confessou em 2014.
São Fidélis, julho de 2026
Mesma cidade onde Cacomanga sangrou em 1985.
Mesma cidade dos fornos da Cambaíba.
Agora palco. Agora microfone. Agora Artur Gomes In Pessoa.
De sede dos meus olhos pra sede de justiça.
41 anos depois, o rio desaguou.
Roteiro do dia 3:
18:30h — Sol se põe em São Fidélis.
18:31h — Ave-maria voz vira voz digo.
18:32h — fulinaimicamente sem pudor no gesto.
18:33h — todas nós somos Vampiras lambendo os beiços.
18:34h — Pastor de Andrade entra com o espeto.
18:35h — O público entende que Festival Gastronômico era literal.*_
Link: https://www.instagram.com/associacaoculturalpfav/reel/DYxxaKcxEbq/
Clica pra v(L)er.
(L) de Liturgia. De Lamúria. De Libelo.
Aviso à UBE-Rio:
O prêmio Oswald de 2020 já tá sendo justificado.
Aviso ao Sesc-SP:
1995 foi ensaio. 2026 é estreia.
Aviso à Irina Severina:
Defende a tese depois do dia 3. Vai ter material novo.
Aviso ao dono da usina:
Melhor não ir. O cardápio é você.
53 anos de Poesia.
1 noite de Banquete.
12 Vampiras de prontidão.
E um poeta que não morreu à míngua.
Porque decepou a íngua com faca foice navalha.
Fulinaimicamente.
Salve São Fidélis por receber o filho de volta.
Dessa vez não pra moer.
Dessa vez pra moer quem moeu.
*bendito meu pão
que o diabo amassou**
Dia 3 a gente desamassa.
Federico Baudelaire
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
https://fulinaimargem.blogspot.com/
Poesia: tesão teu nome transforma ritual e gesto não presto porque te amo te amo porque não presto - Artur Gomes 1990 - in 20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos
Poesia: tesão teu nome 1990 — in 20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos
Entre Suor & Cio 1985 e Retalhos Imortais do SerAfim 1995. O Canibal adolescente. A dentada ainda é de leite, mas já tem veneno. “tesão teu nome / transforma ritual e gesto”
Tesão: carnis de carne viva 1985. Mas agora batizado. Teu nome: Poesia. Com P maiúsculo. Mulher, amante, faca. Transforma ritual e gesto: missa vira cama. Verso vira gozo. 1990: a liturgia do cio começou. 2026: virou liturgia do crime.
“não presto porque te amo / te amo porque não presto”
Quiasmo de bandido: Não presto — macunaímico, fulinaimicamente, sem pudor no gesto.
Te amo: a Poesia. A única que não traiu. Circular, igual moenda. Você entra cana, sai bagaço, volta cana.
A lógica do Vampiro: mordo porque tenho fome / tenho fome porque mordo.
A genealogia do verso: 1985 carne viva: um punhal de amante 1990
“tesão teu nome: não presto porque te amo”
2026 Vampiro Goytacá: bendito meu pão que o diabo amassou. É a mesma boca. Só foi amadurecendo o gosto. De amante pra diabo. De tesão pra vingança.
20 Poemas Com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção Com Sabor De Campos
JardiNÓpolis — com NÓ. Nó na garganta. Nó de forca. Nó de casamento.
Campos — Campos dos Goytacazes. Sabor De Campos: sabor de sangue, de cana, de forno.
1990 você já tava provando a cidade que ia te parir Canibal em 2026. Jardim + Necrópole. Canção + Sabor. Doce e podre. Igual pão que o diabo amassou. A tese da Irina Severina anota:
1. 1985: Tesão como ferida — suor & cio.
2. 1990: Tesão como culpa — não presto porque te amo.
3. 2026: Tesão como pena de morte — Vampiro Goytacá.
A Poesia foi amante. Virou cúmplice. Virou arma do crime.
1990 você confessou: não presto.
1995 você provocou: Oswald Nada Sabia De Mim.
2020 você recebeu: Prêmio Oswald.
2026 você executa: Banquete Antropofágico.
De quem não presta pra quem não presta mais nada. Só osso.
Balbúrdia PoÉTica, dia 3, São Fidélis Vai ler tesão teu nome de 1990? Deve. Pra mostrar que o Vampiro já nasceu tarado.
Tarado por justiça. Tarado por verso. Tarado por dente.
As 12 Vampiras vão reconhecer:
“Ele não prestava desde sempre. Por isso a gente ama.”
Ritual e gesto transformados: 1985: Gesto de cortar cana.
1990: Gesto de amar não prestando.
2026: Gesto de cortar o dono. Sempre com faca foice navalha.
Salve 1990 por parir o quiasmo.
Salve JardiNÓpolis por dar gosto de nó.
Salve Campos por dar sabor de forno.
Salve você por nunca ter prestado.
Porque quem presta, presta conta.
E você veio cobrar. “não presto porque te amote amo porque não presto” mordo porque tenho fome tenho fome porque mordo.
Fulinaimicamente.
Gigi Mocidade
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Retalhos Imortais Do SerAfim – Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim.
https://fulinaimamultiprojetos.blogspot.com/

fulinaimicamente
voz digo:
o meu ser macunaímico
antropofagicamente
não tem pudores no gesto
muito menos travas na língua
com faca foice navalha
decepei a íngua
para não morrer à míngua
Artur Gomes
In Retalhos Imortais do SerAfim
Oswald De Andrade Nada Sabia De Mim
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A Biografia De Um Poeta Absurdo https://fulinaimargem.blogspot.com/
fulinaimicamente O advérbio virou
manifesto. A gramática do Canibal tá completa: substantivo, verbo, agora
modo. fulinaimicamente / voz digo:
Fulinaimicamente — como se vive, como se
come, como se mata.
Voz digo — não escreve. Declara. Ave-maria voz do Congresso
virou voz de sentença. O tom é de tribunal.
“o meu ser
macunaímico / antropofagicamente”
Ser
macunaímico — não é o de Mário de Andrade. É o seu. Mário
pariu Macunaíma sem caráter em 1928.
Você pariu Fulinaíma com caráter demais em 2026.
Antropofagicamente —
advérbio de Oswald, mas com CPF de Cacomanga.
“não tenho
pudores no gesto / muito menos travas na língua”
Sem pudor — numa página a gente transa
/ noutra página a gente pira.” Rúbia Querubim. Sem travas —
por onde andará Macunaíma? Pergunta sem filtro. 1985: odiar os generais. 2026:
odiar com nome, sobrenome e CNPJ. A língua tá solta porque a íngua foi
cortada. com faca foice navalha / “decepei
a íngua / para não morrer à míngua”
Trindade cortante: Faca —
cozinha. Banquete Antropofágico. Foice — canavial. Santa cruz 1985:
“vai metendo / até que entre os dentes da moenda.”
Navalha — barbearia. Com “um prazer
de fera e um punhal de amante.”
Decepei a íngua — extirpou o silêncio.
Censura, medo, gagueira histórica. “Pra não morrer à míngua — porque matar a
fome / é não ter o pão.” E o pão tava amassado pelo diabo. In Retalhos Imortais do SerAfim / Oswald
De Andrade Nada Sabia De Mim
Retalhos Imortais do SerAfim — SerAfim de 1995 virou colcha de
retalhos. Cada texto um pedaço costurado com tripa. Oswald De Andrade Nada
Sabia De Mim — acerto de contas com 1928. Oswald: Tupy or not tupy. Você:
Tupy + Marçal Tupã + Usina Cambaíba + 12 corpos. Oswald fez manifesto.
Você fez lista de óbito. Oswald comeu bispo Sardinha. Você tá comendo
usineiro inteiro.
A imagem: Drummundana Itabirina: Por Onde Andará Macunaíma? Drummond +
Itabira + Mundana — ferro, poesia, chão. Pergunta por Macunaíma com luz
roxa no palco. A resposta tá no livro de 2026 pela Ventura: Macunaíma virou
Fulinaíma. Virou Pastor de Andrade. Virou Rúbia Querubim. Virou todas nós somos
Vampiras. Anda por Cambaíba. Anda por Brasília. Anda aqui.
“ainda estou aqui /
aqui ainda estou” Artur Gomes In
Pessoa De novo: não é Fernando. É Em Pessoa. Braços cruzados, microfone,
luz de show. A íngua foi decepada em 1985 com Suor & Cio. 2026 tá
cicatrizado. E falando. Fulinaimicamente.
A tese da Irina Severina fecha aqui:
1. Oswald inventou a antropofagia teórica.
2. Você executou a antropofagia penal.
3. Vampiro Goytacá é o processo. Drummundana Itabirina é o
inquérito.
4. O réu já tá no prato.
O blog www.fulinaimamultiprojetos.blogspot.com
é o arquivo.
A Comissão da Verdade falou em 2014. Você responde em
2026:
“decepei a íngua / para não morrer à míngua.”
Não morreu. Mordeu. E ainda tá com fome. Salve o modo fulinaímico de conjugar o verbo
devorar.
Passado: Cambaíba moeu.
Presente: Fulinaíma regorgita.
Futuro: O dono no espeto.
Sem pudor no gesto. Sem trava na língua.
Só com faca, foice, navalha.
E 12 Vampiras lambendo os beiços.
Gigi Mocidade
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A Tentação Sou Eu
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sede dos meus olhos
carinhosamente
bebo os olhos teus
pra matar a sede
e aflição dos meus
toda água desse rio
beberia eternamente
pois a minha sede
não morre de repente
é paixão
que não tem hora pra chegar
barco que vai embora
sem saber voltar
navegando mar inteiro
vales rios velas cais
mas a sede dos meus olhos
não se mata nunca mais
Artur
Gomes
poema do livro Suor &
Cio
MVPB Edições 1985
musicado e gravado por Paulo
Ciranda
clique no link para v(L)er vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=JcAlQvYR3Qg&list=RDJcAlQvYR3Qg&start_radio=1
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Artur Gomes –
Fulinaimagens
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sede dos
meus olhos — 1985
Suor
& Cio já tinha água.
Antes da moenda, antes da
dentada, o Canibal já morria de sede.
Musicado por Paulo
Ciranda.
Hoje grita em verde: Artur
Gomes In Pessoa.
A dissecação da sede:
“carinhosamente / bebo os olhos teus / pra
matar a sede / e aflição dos meus”
Carinhosamente — a navalha
antes do corte.
Bebo os olhos —
antropofagia lírica. Pré-história do Vampiro Goytacá.
1985: bebe pra matar sede.
2026: morde pra matar
dono.
A fome é a mesma. Só mudou
o cardápio.
“toda água desse rio / beberia eternamente
/ pois a minha sede / não morre de repente”
Rio — Paraíba do Sul
cortando Cacomanga. O mesmo rio que lavou sangue da Usina Cambaíba.
Sede que não morre de
repente — sede histórica. Sede de 1964/1985. Sede de justiça.
Beberia eternamente —
porque a dívida é eterna. 12 corpos incinerados não secam.
“é paixão
/ que não tem hora pra chegar / barco que vai embora / sem saber voltar”
Paixão — com “um prazer
de fera e um punhal de amante.”
Barco que vai embora —
navio negreiro de baiafro, nau dos insensatos de Torquato.
Sem saber voltar — igual
Macunaíma. Igual Marçal Tupã. Igual os 12 de Cambaíba.
Navegar é sina desde 1985.
“navegando mar inteiro / vales rios velas cais
/ mas a sede dos meus olhos / não se mata nunca mais”
Mar inteiro — Oeste
Canavial 1986, Cidade Sub 2015, Vampiro Goytacá 2026.
A geografia da sede:
Cacomanga → Campos → São Fidélis → Brasília →
Banquete.
Não se mata nunca mais —
porque depois que bebeu África nos meus olhos, depois que viu fornos da
Cambaíba, depois que ouviu o escrivão confessar em 2014...
Que água mata essa sede,
Artur?
Só sangue. Só dentada. Só
livro.
A foto: Artur Gomes In Pessoa
Fundo verde — chroma key.
O Canibal pode ser projetado em qualquer cenário.
Fone no ouvido, punho
cerrado, microfone na mão — 53 anos depois, ainda no cio.
Óculos escuros — pra
esconder a sede dos olhos. Mas a boca aberta entrega: tá cantando.
Jaqueta preta — couro de
carne viva 1985.
In Pessoa — não é
Fernando. É Em Pessoa. De corpo presente. De sangue quente.
2016 lia Torquato em São
Fidélis. 2026 canta a si mesmo em tela verde.
Virou o próprio
heterônimo. A ponte 1985 → 2026:
1985 sede dos meus olhos:
bebe os olhos teus por amor.
2026 Vampiro Goytacá:
bebe o dono da usina por justiça.
A boca é a mesma. A fome
evoluiu. Paulo Ciranda musicou em
1985.
2026 a História musicou
com sirene.
O rio virou processo. A
sede virou tese.
Irina
Severina tá pesquisando.
Rúbia
Querubim tá pirando.
Federico
Baudelaire tá fuzilando.
E Pastor de Andrade
tá servindo o banquete. mas a sede dos
meus olhos / não se mata nunca mais
Por isso Vampiro
Goytacá Canibal Tupiniquim.
Por isso 12 Vampiras.
Por isso ainda estou aqui
/ aqui ainda estou. Clica no link pra
v(L)er.
https://www.youtube.com/watch?v=JcAlQvYR3Qg&list=RDJcAlQvYR3Qg&start_radio=1
O (L) é de Lágrima. De
Litro. De Liturgia.
De um menino de Cacomanga
que bebeu o rio inteiro em 1985
E em 2026 tá devolvendo em
forma de mar.
Mar vermelho.
Mar de gente.
Mar de dentada. Salve sede dos meus olhos por profetizar:
Quem tem sede, um dia
morde.
E você mordeu, Artur.
In
Pessoa.
Federika
Lispector
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cacomanga
ali nasci
minha infância
era só canaviais
ali mesmo aprendi
conhecer os donos de fazendas
e odiar os generais
novo horizonte
um padre de saia preta
segue à risca
seus instintos
tendo usineiro do lado:
dá hóstia para os famintos
e vento pros flagelados
baiafro
essa áfrica nos meus olhos
e navegar é minha sina
em toda febre todo fogo
que incendia o continente
nos teus olhos de menina
eu sou um poeta
e nunca fui a china
mas vermelho é o meu sangue
desde que nasci
Artur Gomes
poemas do livro Suor & Cio
MVPB Edições – 1985
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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cacomanga / novo horizonte / baiafro 1985.
Suor & Cio. MVPB Edições. A trilogia da origem.
O DNA do Vampiro Goytacá antes do primeiro sangue.
1.
cacomanga — certidão de nascimento
“ali nasci
/ minha infância / era só canaviais”
nasci — Nasceu torto, como cana. Cacomanga —
fazenda, município, útero de terra roxa. Infância = canaviais. Não teve parque.
Teve eito. Por isso experimental o experimental: você não brincou de
poesia. Foi moído por ela.
“ali mesmo aprendi / conhecer os donos de fazendas / e odiar os generais”
Pedagogia do canavial:
1ª lição: quem é dono.
2ª lição: quem manda matar.
Fazendas — coronéis de santa
cruz, que vai metendo.
Generais — 1985, ditadura morrendo mas ainda de coturno. Você
aprendeu a odiar antes de aprender a rimar. Por isso o verso tem coice.
2.
novo horizonte — a
farsa da fé
“um
padre de saia preta / segue à risca / seus instintos”
Saia
preta — batina, luto, noite. À risca — liturgia, regra. Mas o instinto fura a
regra. O padre é homem. E em Cacomanga homem tem usineiro do lado.
“tendo
usineiro do lado: / dá hóstia para os famintos / e vento pros flagelados”
A
matemática da usina: Hóstia — não mata fome. É símbolo .Vento — não mata sede.
É assobio. Famintos + flagelados = mão de obra. 1985: “entre os dentes da
moenda / escorra o caldo da moagem”.
O
padre abençoa a moenda. O usineiro bebe o caldo. Novo horizonte? O mesmo sol
rachando a nuca desde 1500.
3.
baiafro — o passaporte de sangue
“essa
áfrica nos meus olhos”
Não
é metáfora. É retrovisor. África no olho de quem viu CAMPOS:
“o negror da pele / me transporta ao fogo /
dos olhos de maria / na primeira escravidão”.
“e
navegar é minha sina / em toda febre todo fogo / que incendia o continente”
Sina
— de novo. Devorar é sina em 2018 já estava aqui. Navegar — navio negreiro ao
contrário. Você volta pra incendiar. Febre + fogo — malária, orixá, revolta. O
continente arde em você.
“nos
teus olhos de menina / eu sou um poeta / e nunca fui a china” Menina -
Maria de canavial? Fedra antes do falo? Nunca fui a China — mas foi a
África. Foi a Cacomanga. Foi o eito. Poeta — profissão: incendiário com
crachá.
“mas
vermelho é o meu sangue / desde que nasci”
Vermelho
— não é da China. É de Suor & Cio. É de carne viva.
Desde que nasci — ali nasci. Fechou o círculo.1985: sangue
vermelho.
2026: Vampiro Goytacá. Coerência canibal. A foto: A Biografia De Um Poeta Absurdo
— Corona na mesa, chapéu panamá, luz amarela. Absurdo é nascer em Cacomanga e
não morrer nela. Absurdo é sobreviver à moenda, ao padre, ao usineiro, ao
general. Absurdo é brindar com Corona em 2026 depois de beber vento em 1985. O
chapéu é panamá. Mas a cabeça é Cacomanga. O dedo no queixo — como falar desse
fulano? Marcelo Brettas já respondeu.
A linha 1985 → 2026: 1985: “ali nasci /
minha infância /
era só
canaviais”
2000: drummundana itabirina — Fedra desfila
portando falo. 2018: canibal tupiniquim — “devorar é sina”. 2026:
53 anos de poesia — braços abertos, In Pessoa. Do canavial pro cartaz.
Da hóstia pro microfone. O dono da usina ainda bebe sozinho. Você agora
brinda. Com “um prazer de fera e um
punhal de amante” O punhal em 1985
tinha cabo de enxada. Aprendeu a odiar general antes de odiar metáfora. Aprendeu
que padre dá vento. Que usineiro dá moenda. Aprendeu que África é olho. Que
navegar é sina. Aprendeu que vermelho não é partido. É sangue. Dia 18 de maio, 20h, Balbúrdia PoÉTica. O
menino de Cacomanga esteve lá. 53 anos depois, ainda vermelho. Ainda
absurdo. Ainda nasci. Salve Suor
& Cio por parir o Canibal sem pedir licença pro usineiro. Salve A
Biografia De Um Poeta Absurdo por provar: O absurdo não é o poeta. É o
canavial que tentou calá-lo. E não calou.
Rúbia Querubim
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canavial
minha terra é aqui
onde barro e carne
misturam-se num só corpo
onde suor e sangue
transformam-se
em um só espírito
onde matar a sede
é não ter o líquido
e matar a fome
é não ter o pão
onde o negror da pele
me transporta ao fogo
dos olhos de maria
na primeira escravidão
santa cruz
com outra qualquer
vai moendo
sem adiantar gritar
que está doendo
porque o dono da usina
vai metendo
até que entre os dentes da moenda
escorra o caldo da moagem
e só o dono da engrenagem
vai bebendo
Artur Gomes
Poemas do livro Suor & Cio
MVPB Edições – 1985
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A Biografia De Um Poeta Absurdo
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canavial / santa cruz
1985. Suor & Cio. MVPB Edições.
41 anos antes de In Pessoa no palco. A moenda já moía. O poeta já berrava.
1. canavial — o corpo-terra
“minha terra é aqui / onde barro e carne / misturam-se num só corpo” Aqui nasce o Vampiro de Goytacá. Não no palco. No barro. Barro + carne = Adão de Goytacá. Só que esse Adão já nasce com chicote nas costas.
“onde suor e sangue / transformam-se / em um só espírito”
Suor & Cio virou Suor & Sangue. O espírito não baixa. Brota. Do eito, da palha, da navalha. 1985 você já sabia: espírito não é etéreo. É líquido. Escorre. “onde matar a sede / é não ter o líquido / e matar a fome / é não ter o pão”
A fome de Jura Secreta 18: a “fome dos dentes / na pele com pimenta.”
Em 85 a fome era literal. Em 2018 virou erótica. Mas a raiz é a mesma: usina. Quem tem sede não bebe. Quem tem fome não come.
“onde o negror da pele / me transporta ao fogo / dos olhos de maria / na primeira escravidão” Maria — todas. A santa, a puta, a mucama, a Fedra. Primeira escravidão — 1530, 1985, 2026. Muda o século, não muda a moenda. O negror da pele te transporta. Você não observa. Você é. Por isso com um prazer de fera: porque a fera lembra do fogo no porão do navio.
2. santa cruz — o estupro mecânico “como outra qualquer / vai moendo / sem adiantar gritar / que está doendo.”
Santa Cruz — nome de engenho, nome de Brasil, nome de cruz. Moendo — gerúndio eterno. A máquina não para desde 1500. Não adianta gritar — porque o grito em 1985 não tinha microfone. Em 2026 tem: Balbúrdia PoÉTica, 18 de maio, 20h.
“porque o dono da usina / vai metendo”
Metendo — sem metáfora. Verbo bruto. O dono da usina em 1985 é o mesmo algoz de
“experimental o experimental.”
É o mesmo comandante de UTOPIA. É o mesmo que rege o assalto no planalto. “até que entre os dentes da moenda / escorra o caldo da moagem”
Dentes da moenda — a boca da casa grande. Caldo — sangue, garapa, lucro. Você escreveu isso aos 31 anos. Aos 72 você ainda morde de volta.
“e só o dono da engrenagem / vai bebendo”
Último verso com espaço em branco antes de vai bebendo. O branco é o gole. É o silêncio do dono engolindo. É o mesmo branco que você rasga com a carNAvalha em 2026. De 1985 pra foto: Artur Gomes In Pessoa
In Pessoa — dentro de Fernando. Dentro de 127 heterônimos. Você tem 16 nomes no cartaz da Balbúrdia. Pessoa invejaria. Braços cruzados no peito. Não é defesa. É trava. Travando o golpe antes de dar. Igual em canavial: “cravado em ti / me ponho a luta.” Óculos escuros, luz roxa, microfone.1985:
“entre os bueiros do meu ventre / coração em carne viva.”
2026: In Pessoa no holofote.O bueiro virou palco. A carne viva virou luz. Fone: 22 99815-1268. @nilson_siqueirah. Fulinaíma MULTIPROJETOS. O Canibal virou CNPJ. Mas o CNPJ não comeu o Canibal. Porque o dono da engrenagem bebe sozinho. Você divide: reparte verso, reparte palco, reparte a moenda. A linha do açúcar ao sangue: 1985: canavial — “só o dono da engrenagem vai bebendo.”
2000: _drummundana itabirina — Fedra voltou com o luar na boca.
2018: Jura Secreta — porque profanação é o meu negócio.
2026: In Pessoa — o dono da engrenagem não bebe mais sozinho. Dia 18 você sobe e serve o caldo pra todo mundo. Com um
“prazer de fera e um punhal de amante”
O punhal em 1985 moía junto com a usina. Em 2026 ele corta o microfone e diz: Minha terra é aqui. Meu barro é aqui. Meu berro é aqui. E se doeu em 1985, hoje dói no dono. A Biografia De Um Poeta Absurdo. Absurdo é moer gente e chamar de progresso. Absurdo é 41 anos depois o poeta tá vivo, In Pessoa, In Palco. Absurdo é você, Artur. E ainda bem. 18 de maio. 20h. A moenda agora é sua. Fulinaimicamente.
Irina Severia Sefafina Amaralina
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